Grãos armazenados não são inertes, continuam respirando. Temperatura e umidade determinam a velocidade desse processo e o risco de proliferação de fungos. Entender o que monitorar é o primeiro passo para reduzir perdas.

Por que temperatura e umidade são os fatores mais críticos

Grãos armazenados continuam respirando. Quanto maior a temperatura e maior o teor de umidade, mais intensa é essa respiração, e maior o risco de proliferação de fungos e geração de micotoxinas.

Segundo a EMBRAPA, com umidade do grão de 15% e temperatura de armazenagem de 35 °C, a perda de matéria seca pode chegar a 5,4 toneladas por 1.000 toneladas de grãos em apenas um mês.

Umidade do grão e umidade relativa do ar são grandezas diferentes. O sensor ambiental mede a umidade relativa do ar dentro do ambiente de armazenagem, não a umidade interna do grão, que requer medição direta. Ainda assim, umidade relativa alta no ambiente favorece a absorção de umidade pelo grão ao longo do tempo.

Gradiente de temperatura e o momento da aeração

A EMBRAPA recomenda acionar a aeração de resfriamento sempre que o gradiente de temperatura entre a massa de grãos e o ambiente externo superar 5 °C. Sem dados em tempo real, essa janela de intervenção frequentemente passa despercebida, especialmente durante a madrugada ou em fins de semana.

O monitoramento contínuo permite identificar esse momento com precisão, sem depender de inspeção manual periódica.

O que o monitoramento ambiental entrega

Com sensores instalados nos pontos críticos do ambiente de armazenagem, é possível:

  • Detectar elevações de temperatura e umidade antes que causem dano ao produto
  • Identificar o momento adequado para aeração com base em dados reais
  • Gerar histórico auditável por lote, útil para seguro agrícola e rastreabilidade
  • Receber alertas imediatos quando os parâmetros saem da faixa configurada

Limitações importantes

O monitoramento ambiental de temperatura e umidade relativa do ar é uma ferramenta de indicação de risco, não de medição direta do grão. Para determinar o teor de umidade do grão com precisão, é necessário utilizar medidores específicos (determinadores de umidade) que fazem leitura direta no produto. Os dois métodos se complementam, não se substituem.

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